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| A cidade sem nome |
Isso que vou falar aconteceu há muito tempo, em uma cidade
pequena, deste nosso imenso Brasil. Vou manter o nome dela em sigilo, porque é
conveniente que assim seja.
A direção da cidade
estava em mãos de um prefeito que não estava nem aí para a saúde de seus
concidadãos. O único hospital que existia nela estava falido e com sua
continuidade seriamente comprometida, pelo excesso de contas a pagar.
Os
funcionários e os seus médicos, coitados, viviam com o salário atrasado e só conseguiam
alguma ajuda, através das greves que eles faziam.
O prefeito e os vereadores
nada faziam para o hospital se reerguer das cinzas. Como esta a cidade era uma
espécie de capital menor, entre as cidades
de algures, alem de atender seus concidadãos, tinha por obrigação dar
acolhida e assistência, para os moradores destas pequenas cidades do seu
entorno.
A coisa foi ficando cada dia mais grave, prenunciando mesmo uma catástrofe.
Tanto foi ficando ruim, que chegou um dia, que nem o prefeito e seus vereadores
não mais se dispunham a solucionar o problema deste hospital. E esse ato de
covardia rasteira e sonso descaso, fez
com que todos os habitantes daquelas cidades de seu entorno e o seus próprios,
ficassem sem a segurança de poder contar
com os serviços relativos à saúde populacional. O hospital veio a falir de
forma definitiva.
A população aí então se rebelou de vez. Formaram um grupo de
voluntários e deste grupo, elegeu-se uma comissão para encabeçar as ações que
deveriam tomar para reabrir o hospital.
Orientados por um advogado, esta
comissão pediu uma audiência ao Juiz da cidade e depois de esclarecê-lo sobre a
razão daquela ação que queriam impetrar, ou seja, assumir a direção do
hospital, destituir a diretoria atual, fazer o levantamento das dividas,
convocar os cidadãos que mais posses teriam para contribuir em um fundo, que
pudesse permitir que o hospital abrisse novamente as suas portas. E, paralelamente,
contratar uma firma de auditoria profissional para que auditasse todas as contas do hospital, nos períodos das duas diretorias passadas e assim
conhecer o tamanho de suas dificuldades.
O próprio Juiz, que também se sentia prejudicado com a
situação, concedeu esta ordem e a comissão assumiu os destinos do Hospital. Os
próprios funcionários, bem como os médicos, aceitaram o convite de voltar aos
seus postos. Mesmo sem receber os salários atrasados naquele momento. Essa comissão de posse das doações dos
moradores equipou o hospital com seus remédios mais básicos e necessários, bem como, os materiais
de higiene. Pagou um mês de trabalho aos funcionários e se comprometeu com eles
de efetuar os próximos pagamentos
mensais de seus trabalhos, nos meses seguintes, com um acréscimo de dez por
cento, até sanar as dividas salariais.
O
senhor Juiz, deu uma carta de endosso à comissão, e ela procurou o governador
do estado e conseguiu uma verba em caráter de urgência, para pagar os médicos e
os fornecedores.
Sob a direção desta comissão, o hospital reabriu suas portas e
com a sua própria arrecadação, tanto do INPS, quanto de seus clientes
particulares e de convênios, está funcionando até hoje. E nunca mais parou de
funcionar.
A única ressalva que faço, é que isso só foi possível porque
a SUA POPULAÇÃO ERA CONSTITUIDA DE
HOMENS E MULHERES DE RAÇA E FIZERAM
VALER SUAS CIDADANIAS, SE UNINDO EM PROL DO SEU BEM ESTAR DE DIREITO.
Agora, eu fiquei sabendo que uma cidade no interior de São
Paulo, está atravessando uma situação parecida. A cidade se chama “Centavo”, seus políticos estão trabalhando
para se elegerem e não sobra tempo para se mobilizarem neste sentido. Eu até
aceito os argumentos de que realmente trabalhar para se reelegerem é mais importante que lutar pelos interesses
dos cidadãos. O que fazer se os valores se inverteram.
Mas, o que aconteceu
nesta cidade que descrevi acima e declinei de dizer seu nome, foi porque a
comissão era apolítica e o que tinha que ser feito, não precisava agradar ninguém,
porque não precisavam de votos. E esta foi a principal razão do sucesso.
Eu de minha parte não estou fazendo nada, mas se alguns
moradores desta região necessitar de ajuda para tomar esta decisão, eu estou as
ordens. Se as coisas vão ocorrer como ocorreu na cidade que eu omiti o nome,
eu não posso garantir. Na certa, brigaremos com a diretoria do hospital, com os
vereadores, com o prefeito, e com aqueles puxa-sacos de carteirinha, dos políticos.
E neste caso até alguns óbitos poderão ocorrer. Mas, o certo é que se
começarmos a nos mexer neste sentido, alguma melhora deve acontecer. O que não
deve ser feito é o que está ocorrendo atualmente, aceitar passivamente a atual situação. Se quiserem marcar uma
reunião com este objetivo, de minha parte, basta me avisarem.


Pois é... Certa vez vez te escrevi que procurei alguém conceituado, de forma quase anônima, com a intenção de ajudar nisto... A personalidade deu de ombros, disse mais, que minha atitude era louvável, mas que ele seria contra... Vai entender !
ResponderExcluirSim amigo. você tinha me falado. Mas, penso eu que quem manda no exercicio da diretoria atual, é o Juiz da Cidade. Ele tem carta aberta para se precisar, depô-los (acredito eu que funciona assim) se juntarmos um grupo poderíamos nos consultar mutuamente que açoes podemos tomar.
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